Trago coisas...

  Hoje me senti como se tivesse perdido um amigo. Todos os cigarros que fumei hoje me causaram enxaqueca, aparentemente não posso mais fumar, e assim: de uma hora pra outra! Nunca aconteceu, agora não posso mais fumar! O desgraçado me traiu. Justo agora.
  Falo isso poque, apesar de nocivo, eu gosto de fumar, muito mesmo, principalmente quando tô puto. Talvez você se pergunte “o que leva alguém a gostar de fumar?”
  Li em algum lugar que “todo vicio é um sintoma”, não discordo, mas não acho que se aplique a minha situação, pelo menos por enquanto...
  Então porque? Bom, esse troço me acalma, pra mim funciona como um freio quando eu tô estressado, sabe quando você tá nervoso e alguém te oferece um copo d’agua? O cigarro é o meu copo d’agua. Funciona assim por que geralmente precisamos ficar sozinhos pra não incomodar ninguém com a fumaça, e toda solidão leva a reflexão, entende? E tem também o fato de que, você ignora que aquilo te prejudica, você ignora se vão falar mal de você por isso, você ignora se aquilo é aceitável ou não pela sociedade... o cigarro é aquele botãozinho do “Foda-se”... E junto com isso, enquanto o cigarro vai queimando, queima com ele uma pá de problemas, nada é tão importante naquele momento.

(-Vale o câncer?
-Talvez não, mas quem quer viver pra sempre?)

  É como se, pelo breve período de um cigarro, você fosse realmente livre, entende? Por uns 4 ou 5 minutos, eu tô vivendo o momento.
  Isso é, quando você não tem amigos como os meus, que ficam tentando derrubar o cigarro da sua mão e reclamando o tempo todo...(abraço pra vocês, aliás)
  Talvez eu também goste de certa similaridade que os cigarros tem com as pessoas, pelo menos na minha cabeça.
  Os cigarros são acesos, usados até o filtro, suas cinzas são espalhadas e sua fumaça desaparece, tudo isso em questão de minutos. Assim como nós, nascemos, somos usados até não sobrar nada, então sumimos, parte de nós vira cinza, as memórias desaparecem como fumaça ao vento, e o que sobra é o filtro, que acaba na terra, coincidentemente.
  Rápido, fugaz, efêmero, com um gostinho ruim na boca, como a vida, aquele gostinho azedo da saudade das pessoas e momentos que viraram fumaça...
  Mas agora o gostinho de saudade é do próprio cigarro, perdi isso, não vale as enxaquecas.
  Tem poesia no cigarro...

  Tinha...

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas